Debruçada na mulher à frente na tentativa de segurar o cabo amarelo, senti vergonha da posição descontável e pouco atraente. Troquei alguns olhares, mas sabia que meu cabelo em um coque despropositadamente mal feito piorava minha situação. Tentei limpar a remela dos olhos, enquanto me equilibrava em cada freada sem o apoio das mãos.
Sabia que nunca haveria uma conversa, mas, ainda assim, torci para que ele não descesse no ponto da estação de trem, onde a maioria das sardinhas do ônibus saltam. Deixei os passageiros passarem por mim e, quando o motorista deu partida novamente, não o encontrei. Claro. Deve ter pego o comboio para alguma zona distante de São Paulo.
Minha paixonite durou os quinze minutos do trânsito da Anhanguera. Pela primeira vez, não odiei os carros congestionados e não me arrependi de colocar a soneca de dez minutos no meu despertador. Agora, terei de me atrasar nos próximos dias para tentar encontrar o moço bonito mais uma vez.
cotidiano
textos

1 comentários
Ahh que fofinho rs,acho que todo mundo passa por isso de encontrar alguém no meio do caminho e ficar trocando olhares rs,nunca tive coragem de falar nada,mas seu texto me fez recordar alguns desses momentos em que me encontrava na mesma situação da personagem rs
ResponderExcluirBeijos ^.^
Little Wonders