O lado sociopata -e stalker- escondido no fundo do meu córtex pré-frontal veio à tona com a ideia de procurá-lo em redes sociais. Ué, se a geração milênio foi presenteada com a tecnologia, por que não usá-la para encontrar paixões platônicas? Senti-me como um Sherlock Holmes de R$ 1,99. Encontrei seu perfil no Facebook após vasculhar grupos que reunia bixos do seu curso. Confesso, levou algumas tentativas (que seriam em vão caso não me arriscasse).
Esforcei-me para conquista-lo. Descobri seus hobbies (não eram poucos), manias, chatices, e a friendzone passou a me assombrar. Nossa amizade floresceu e era um lembrete de tudo que nunca seríamos, de que o platônico era irreversível. Era tipo querer muito um vestido novo, poder comprar, mas ele simplesmente não vestir bem, como se não te aceitasse. Ele me ganhava com apenas um pedaço de papel e uma caligrafia bonita. No final, foi ele quem escreveu a história e fez de mim sua personagem.

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